sábado, outubro 08, 2011
Que acabou...
Daqui a pouco farão três dias em Saturno. Isso já não significa muito pra mim, mas eu não poderia desembarcar dessa história e perder a oportunidade de fazer tão bonita alusão.
sexta-feira, outubro 07, 2011
Leviatã
“Mas porque, entre as muitas impressões que os nossos olhos, ouvidos e outros órgãos recebem dos corpos exteriores, só é sensível a impressão predominante, assim também, sendo a luz do sol predominante, não somos afetados pela ação das estrelas. E quando qualquer objeto é afastado dos nossos olhos, muito embora permaneça a impressão que fez em nós, outros objetos mais presentes sucedem-se e atuam em nós, e a imaginação do passado fica obscurecida e enfraquecida, tal como a voz de um homem no ruído diário...”
Um cara chamado Hobbes escreveu isso em um livro chamado Leviatã, em 1651, na cidade de Paris.
Tem alguma coisa dentro do ser humano que nunca muda...
terça-feira, outubro 04, 2011
Manoel de Barros
"Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz. Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem. Perdoem-me os leitores desta entrada mas vou copiar de mim alguns desenhos verbais que fiz para este livro. Acho-os como os impossíveis verossímeis de nosso mestre Aristóteles. Dou quatro exemplos: 1) É nos loucos que grassam luarais; 2) Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades".
~ Manoel de Barros ~
Obrigada à amiga Jozi
Tudo bem
Escondido atrás dessa cara de brabo há uma criança
Que pede colo
Não é dado a falar
Mas quer que eu esteja lá
Eu não consigo compreender muito bem o seu mundo
Tudo bem, pois ele também não entende nada do meu
Compactuamos nas ideias e na juventude
Nenhum dos dois é muito fácil
Eu gosto de viver minha vida
Ele, eu ainda não sei
Só temos certeza das dúvidas
E da vontade, cada vez maior, de estar lado a lado
Que pede colo
Não é dado a falar
Mas quer que eu esteja lá
Eu não consigo compreender muito bem o seu mundo
Tudo bem, pois ele também não entende nada do meu
Compactuamos nas ideias e na juventude
Nenhum dos dois é muito fácil
Eu gosto de viver minha vida
Ele, eu ainda não sei
Só temos certeza das dúvidas
E da vontade, cada vez maior, de estar lado a lado
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