Tus manos son mi caricia
mis acordes cotidianos
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro
tu boca que es tuya y mía
tu boca no se equivoca
te quiero porque tu boca
sabe gritar rebeldía
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos
y por tu rostro sincero
y tu paso vagabundo
y tu llanto por el mundo
porque sos pueblo te quiero
y porque amor no es aureola
ni cándida moraleja
y porque somos pareja
que sabe que no está sola
te quiero en mi paraíso
es decir que en mi país
la gente viva feliz
aunque no tenga permiso
si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo
y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos.
(Mário Benedetti)
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sexta-feira, março 09, 2012
domingo, dezembro 04, 2011
Parafraseando Caio
Palavras parafraseadas do Caio Fernando Abreu... Ainda me cabem (será que caberão pra sempre?). É sobre o ciúme de quando alguém te abraça, porque por um momento abraça o meu mundo inteiro. Não és nem nunca foste o meu mundo inteiro, mas chegaste perto, muito perto.
Passou, passou...
E lá se vão cinco dias em Saturno.
Passou, passou...
E lá se vão cinco dias em Saturno.
sexta-feira, novembro 18, 2011
Pela manhã
A cidade está caótica, tanto quanto ou mais do que nós
Pela manhã todos correm desesperados. Cheiram bem
Infinitos perfumes, anseios, desejos, destinos
Muito tempo para atravessar uma rua, mas um homem faz-me um gesto cavalheiro oferecendo a preferência no ônibus
Uma delicadeza honesta e respeitosa. Sorri em troca
Ali havia mais amor do que naquilo em que há pouco chamávamos amor
Do que tudo aquilo que agora é pó
Pó não, pó chega a ser romântico
Do que tudo aquilo que agora é uma irritante conta de telefone que não conseguimos desabilitar
O amor – ah o amor! – ele deve ser muito mais do que isso, não?
Por enquanto persistem esses inesperados sorrisos do dia-a-dia
Que vivem a nos salvar
Dessa vida que insistimos em destruir
Pela manhã todos correm desesperados. Cheiram bem
Infinitos perfumes, anseios, desejos, destinos
Muito tempo para atravessar uma rua, mas um homem faz-me um gesto cavalheiro oferecendo a preferência no ônibus
Uma delicadeza honesta e respeitosa. Sorri em troca
Ali havia mais amor do que naquilo em que há pouco chamávamos amor
Do que tudo aquilo que agora é pó
Pó não, pó chega a ser romântico
Do que tudo aquilo que agora é uma irritante conta de telefone que não conseguimos desabilitar
O amor – ah o amor! – ele deve ser muito mais do que isso, não?
Por enquanto persistem esses inesperados sorrisos do dia-a-dia
Que vivem a nos salvar
Dessa vida que insistimos em destruir
quinta-feira, outubro 13, 2011
Vinicius
Vinicius embalou algo que agora é uma das minhas mais doces lembranças.
Mas na certa você não lembra disso.
Até quando eu vou lembrar?
Mas na certa você não lembra disso.
Até quando eu vou lembrar?
terça-feira, outubro 04, 2011
Manoel de Barros
"Distâncias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: O dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde me empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz. Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem. Perdoem-me os leitores desta entrada mas vou copiar de mim alguns desenhos verbais que fiz para este livro. Acho-os como os impossíveis verossímeis de nosso mestre Aristóteles. Dou quatro exemplos: 1) É nos loucos que grassam luarais; 2) Eu queria crescer pra passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades".
~ Manoel de Barros ~
Obrigada à amiga Jozi
segunda-feira, agosto 08, 2011
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