quinta-feira, maio 23, 2013

Nova morada

Na janela do novo apartamento vejo um pedacinho importante da cidade. Hoje ele está estranhamente calmo. Gosto deste pedacinho. Já gostava antes de imaginar que um dia me mudaria para cá. Acho que porque ele parecia um trecho inexplorado, um tanto fora da rota, onde havia uma pizzaria em que ninguém nos encontraria. Tenho sentido falta de escrever, mesmo que escrever seja o que faço da vida. Na verdade, tenho sentido falta de pensar e escrever pra dentro (repetindo palavras livremente). Não sobra muito tempo para isso. A vida acaba por nos manter permanentemente embriagados. Só às vezes sobra espaço para momentos de insanidade. Minha cabeça ainda está tentando lidar com tamanha calma, mesmo em meio à barbárie (falo da vida e do apartamento, silencioso em meio ao caos). Não faço ideia de porque ela anda tão tranquila (desta vez falo da vida). Talvez porque eu tenha dividido meu tempo com as pessoas certas, tomado as decisões certas, me dedicado às coisas que realmente gosto, amado na medida certa, em forma e quantidade. A nova casa é grande e calma, assim como anda a vida. Nesse momento eu não queria estar em outras.

domingo, março 24, 2013

Luz no coração



Contou que batia uma certa angústia.
Aquela de domingo, sabe?
Devia ser o tempo.

Respondeu-lhe assim:
"Os passarinhos tão cantando
Vai abrir".

Foi como luz no coração.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Prenúncio do outono

Hoje vi um gari varrendo folhas na praça 
Eram folhas secas 
Sob o sol escaldante do ainda verão elas pareciam descontextualizadas 
– também tinha um ventinho quase gelado – 
É o prenúncio do outono 
Estação meio fora do lugar, linda e sem sentido 
Meio fria, meio quente 
Meio alegre, meio triste 
Tal como a gente vai estar 
Ela anuncia o inverno 
E nele as tardes serão ainda mais lindas do que em novembro 
Sorrirás 
Dentro de belas 
Roupas 
E meias

quarta-feira, fevereiro 06, 2013