Cuidado!
Fechem os ouvidos! Os olhos! As bocas!
Principalmente as bocas!
Avisem-na, antes que seja tarde, que há veneno por toda parte.
Contem para ela que o perigo mora entre os corredores, embaixo dos tapetes, no fundo falso das gavetas e na xícara de café.
É o mundo, agora não adianta chorar.
Avisem-na, antes que ela se surpreenda, que haverá gritos, conspirações, mortes por envenenamento e sufocamento.
Cuidado!
Vicia.
Avisem-na, antes que ela se apaixone, que a sensação causa dependência, que logo ela não vai mais querer fazer outra coisa.
Diga a ela que não se mude. Ainda mora na antiga casa, junto aos antigos livros e aos antigos ídolos.
É o mundo, às vezes é necessário chorar.
sexta-feira, outubro 26, 2007
sábado, setembro 22, 2007
"Eu era um jovem, passando fome, bebendo e tentando ser escritor. Nada do que eu lia tinha a ver comigo. Eu tirava livro após livro das estantes. Por que ninguém dizia algo? Por que ninguém gritava? Então, um dia, puxei um livro e o abri, e lá estava."
(Charles Bukowski - 5/6/1979 - Sobre "Pergunte ao Pó" de John Fante)
(Charles Bukowski - 5/6/1979 - Sobre "Pergunte ao Pó" de John Fante)
quarta-feira, setembro 19, 2007
Enfim ela parou. Viu-se parada em meio a um grande pátio com chão de ladrilhos e perguntou-se como chegara ali. Lembrou dos passos que dera antes, lembrou do restante do dia. Como correra! - pensou - e descobriu que durante os últimos dezenove anos apenas correra. Em busca de quê? Fugindo do quê? Era o que se perguntava. Então sentiu saudades sinceras de uma pessoa que, embora não a merecesse, um dia mimara muito. E teve sincero asco de outras tantas que também não lhe mereceram. E sentiu um sincero carinho por todos que a amaram incondicionalmente. E, nos passos que a levaram dali, sentiu-se meia vida mais leve.
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