segunda-feira, dezembro 06, 2010

Casa nova

Mudar é algo que sempre me inspira. O ritual de embrulhar pratos e canecas em jornais, guardar livros e perfumes em caixas, é muito significativo para mim. Às vezes tenho a impressão de que passei a vida toda fazendo isso. Mudar sempre dá um frio na barriga, um medo do novo, uma expectativa do que está por vir e muitas coisas a se pensar. Essas sensações preenchem uma necessidade que tenho de estar sempre em movimento.

A fase que deixo para trás foi vivida no centro da cidade, com amigos, apartamento grande e agitado, pouca intromissão da família. Por ali passaram alguns namorados, ali terminei a faculdade, li muitos livros, envolvi-me profundamente na política e acho que cresci um pouco.

Antes disso me lembro de família, colchões no chão e até mesmo uma época com muitas baratas. Agora sigo para um lugar menor, onde vou reencontrar a solidão e fazer as pazes com ela. Um lugar com cara de Fran, onde eu possa fritar ovos de calcinha e sutiã, e ler tranquilamente as obras para o prova do mestrado.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Responsabilidades

Ela contou que tinha medo de estar sendo irresponsável. Era sobre isso que as pessoas lhe falavam todo o tempo. Estava querendo mudar tudo, de casa, de vida, de trabalho. Mandavam-na pensar em aluguéis, prestações e combustível. Ela já tinha aprendido que na vida as coisas mudam aos poucos, mas algo forte a fazia querer mais e mais aquilo tudo, e tudo ao mesmo tempo. Então a amiga lhe chacoalhou e disse: “Você tem 22 anos, não 35 e não 50. Olhe onde você está, olhe tudo que você já fez, olhe as coisas com o que você se preocupa. E nunca mais venha me dizer que você é irresponsável”.

Isso foi o bastante. Ela anotou a frase para repetir a quem quer que viesse a lhe questionar.

domingo, outubro 17, 2010

Eu não tinha nada, além dos meus onze anos e muitos sonhos. Ainda lembro-me da cidade fria e da sensação de rodar a cadeira ouvindo Bandolins...

sexta-feira, outubro 15, 2010

Mas, apesar de tudo, ainda não há razão maior para viver do que amar as pessoas.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Acabou!

Foram quase cinco anos. Eram para ser quatro, mas nem o tempo, nem o dinheiro, nem a genialidade sobraram nesse período. Acabou a adolescência, acabaram as brincadeiras, as brigas bobas, as preocupações com provas e trabalhos, as paqueras, os desentendimentos com alguns professores e a adoração por outros.

Eu ainda não havia sentido isso tão forte. Há mais de um ano minha principal meta era me livrar daquele lugar. Acho que era a de todos nós... Mas na última semana começaram os preparativos para a colação de grau. Uma baboseira! Vão me fazer jurar por Deus que vou ajudar a sociedade com o meu trabalho e tals. Não que eu não queira fazer isso, só não queria jurar por Deus. Nem queria que o pastor colocasse um chapéu idiota na minha cabeça. A questão não é a cerimônia, é o que ela significa e o que ela está movimentando nessa semana. Há muitos emails divertidos da turma que está se formando na minha caixa novamente. Ontem sentamos no auditório, ouvimos recomendações e fizemos um pouco de bagunça juntos, isso tudo me deu saudades da sala de aula.

Na próxima semana, nesse mesmo horário, serei uma pessoa formada, com o privilégio de preencher fichas de consultórios com a profissão “jornalista”. Mas também serei mais adulta. Ser estudante era a minha última oportunidade de fazer coisas insanas e não ser punida. Agora não vai mais dar para matar aulas no bar. Eu simplesmente estarei no bar sem nenhum peso na consciência, e isso não faz sentido.

Daquele lugar levo a admiração por pouquíssimas pessoas, algum conhecimento, um diploma e o meu grande amor. Isso não é pouca coisa. Vai ter que constar na minha biografia.