Já era para eu ter escrito, mas esqueci quando tive tempo e não tive tempo quando lembrei.
Talvez isso faça de mim uma pessoa pior do que os vilões da história que vou contar. Ou não.
Já escrevi algumas vezes sobre a lanchonete do Fórum. Aquele é um lugar que me inspira. Acredito que isso aconteça por eu fugir para lá em horário de trabalho quando alguma coisa me chateia, e esses serem momentos mais reflexivos.
Então... em uma tarde da semana passada eu estava na fila da lanchonete do Fórum (que agora mudou de dono e tem coisas muito mais gostosas). A fila era grande, mas costumo ser paciente nesses momentos. Estava observando a senhora que atendia no balcão junto a uma moça mais nova. No caixa quem cobrava era o dono do estabelecimento. De repente ele gritou com a mulher mais velha de forma inesperada na frente de todos.
“Você não está fazendo as comandas. Já falei que tem que fazer. Não pode mandar as pessoas pra cá sem comanda.”
O caixa ficava a 60 centímetros do lugar em que as meninas atendiam os clientes.
Nesse meio tempo um rapaz estranho com cara de nerd (nada contra os nerds) furou a fila bem na minha frente. Deu vontade de dar um tapa na orelha dele, mas me controlei como uma pessoa civilizada. Ele perguntou para a mesma senhora o que tinha de salgados e ela respondeu que tinha o que estava na estufa. O menino havia presenciado a cena com o patrão e vira tão bem quanto eu como ela estava transtornada. Fazendo-se de ofendido com a resposta prática ele se sentiu no direito de ser ainda mais grosseiro quando perguntou o preço de tudo, virou as costas e disse que não ia levar nada.
Quando ela me atendeu, falei para que ficasse calma e tentei fazer meu pedido bem pausadamente. Sabia que isso não ia resolver os problemas do mundo, mas não consegui ajudar de outra maneira. Queria pegá-la no colo. Saí de lá pensando no caso de nunca mais voltar e aí me questionei se isso seria pior para o patrão ou para ela.
Não sei.
terça-feira, março 02, 2010
Mochila de Tartaruga Ninja
Pensei uma merda. Foi uma merda que veio de longe, lá do início do meu blog. Aí eu coloquei os fones de ouvido e escrevi freneticamente um texto qualquer (deve ter sido sobre alguma coisa política que eu não me lembro mais).
Depois todos foram embora e eu saí sozinha caminhando pela rua com a minha mochila de Tartaruga Ninja. Atravessei a ponte, peguei a Dona Francisca (a rua) e quebrei na Princesa Izabel. Eu andava e chacoalhava as mãos sobre a cabeça. Quem passava achava que eu espantava moscas, mas na realidade eu espantava pensamentos.
...
A afetividade é uma coisa estranha. Faz a gente desejar que as pessoas sejam felizes. Alguém me explica, por favor, como é que se lida com essas coisas?
Depois todos foram embora e eu saí sozinha caminhando pela rua com a minha mochila de Tartaruga Ninja. Atravessei a ponte, peguei a Dona Francisca (a rua) e quebrei na Princesa Izabel. Eu andava e chacoalhava as mãos sobre a cabeça. Quem passava achava que eu espantava moscas, mas na realidade eu espantava pensamentos.
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A afetividade é uma coisa estranha. Faz a gente desejar que as pessoas sejam felizes. Alguém me explica, por favor, como é que se lida com essas coisas?
sábado, fevereiro 27, 2010
Uma certeza clichê
Tudo aconteceu tão rápido e tão devagar que nunca poderão entender. Estavam lá durante tanto tempo e nem ao menos gravaram os nomes um do outro. E, de repente, ela o achou tão bonito e nunca mais conseguiu largá-lo.
Às vezes ela ainda o olha e se pergunta o que faz deitada ao seu lado. Mas essa sensação de estranheza vai diminuindo na mesma proporção em que cresce a certeza de que nasceram um para o outro. E não importa o quanto isso soe clichê, ela quer gritar bem alto e ponto.
Às vezes ela ainda o olha e se pergunta o que faz deitada ao seu lado. Mas essa sensação de estranheza vai diminuindo na mesma proporção em que cresce a certeza de que nasceram um para o outro. E não importa o quanto isso soe clichê, ela quer gritar bem alto e ponto.
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Não sei se a palavra seria nostalgia
Ele me disse que estava namorando e que ia voltar pra cidade dele, e eu lhe contei que também estava amando. Senti uma súbita felicidade por ele e simpatizei de cara com a garota que fisgou seu coração. Ela devia ser realmente especial, pois uma vez ele me contou que não se apaixonava muito fácil. Mais tarde conversei com outro amigo que me falou sobre a vontade de encontrar um amor. Esse eu acho que tem saudades de casa, mas é uma impressão muito minha porque eu acabei não perguntando isso a ele. Pensei sobre essas bifurcações da vida, sobre quem vai, quem fica e quem ama. Sobre quanto o mundo me parecia grande há uns anos e sobre como, de repente, todo mundo está indo embora pra capital. Sobre como eu já briguei e já voltei a adorar alguns dos meus personagens. Dei-me conta do quanto ainda sou nova e da quantidade de histórias que eu tenho pra contar sobre amigos, lugares, família, amores... Aí eu fiquei imaginando como será quando eu tiver uns 90 anos. E me senti muito feliz.
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