Nossos pensamentos iam e vinham tão livremente
Que parecia mesmo que a gente estava pensando em voz alta
Durou até os primeiros raios de luz aparecerem
E você foi a voz da minha consciência
E me deu uns conselhos sobre o que eu deveria fazer com você
terça-feira, agosto 18, 2009
quinta-feira, agosto 06, 2009
Um dia, quando eu ainda era bem pequena, ele me disse para nunca usar drogas.
Ele não entendeu quando eu não quis voltar pra casa, nem por que eu gastava mais comendo em padarias do que comprando pão.
Sabe? É que eu acabei me viciando em estar sozinha, escrevendo em silêncio em casa à noite e, pela manhã, tomar café em confeitarias ao som de muitas colherinhas mexendo o açúcar.
Ele não entendeu quando eu não quis voltar pra casa, nem por que eu gastava mais comendo em padarias do que comprando pão.
Sabe? É que eu acabei me viciando em estar sozinha, escrevendo em silêncio em casa à noite e, pela manhã, tomar café em confeitarias ao som de muitas colherinhas mexendo o açúcar.
terça-feira, agosto 04, 2009
segunda-feira, agosto 03, 2009
Homeopatia
Voltei naquele consultório, pedacinho de passado que me faz lembrar o terceiro ano do ensino médio e o tempo em que eu não bebia muito, não falava palavrões, tinha o cabelo pela cintura e atendia aquele telefone da sala de espera. Volto lá a cada três meses para conversar com a médica que foi – e ainda é – como uma mãe pra mim. Mãe mesmo, com os defeitos e carinhos que toda mãe tem.
Nos 20 minutos que sempre duram mais do quem uma hora a atualizo sobre dores, coceiras, namoros, dúvidas, problemas de família. Uma amiga disse que isso parece com prostituição. Eu acho que não por que nunca envolveu sexo.
Ela normalmente toca no assunto Deus e eu gosto de ouvi-la sem falar. Eu a escuto com a seriedade com que leio um bom jornal, sempre com um certo senso crítico. Ela não sabe realmente o que eu penso sobre as coisas, mas é uma das pessoas que mais me conhece. Na sua testa está escrito “experiência” e, no fundo, acho que ela sabe todas as coisas que eu não falo. Ela sempre tem uma opinião sobre os meus namorados. Basta descrever duas ou três características e já vai logo dizendo: é este, não é este... Até agora ela só disse que não era este, e teve razão todas as vezes.
Ela pega no meu pé por eu não almoçar e coisas assim, mas no meio disso sempre há uma filosofia inesperada que vale à pena escrever. Outro dia falei sobre a solidão. Sobre ter família, amigos e preferir viver sempre exilada. Então ela me disse que todos éramos sós e não havia nada que pudesse ser feito a respeito. Disse que na hora em que caminhamos na rua ou que levantamos de uma festa para ir para casa, nesses momentos, descendo as escadas pensando no horário em que precisamos acordar no dia seguinte, nesses momentos estamos sós. Não há solução para o fato de apenas nós mesmos ouvirmos nossos pensamentos.
Já faz quatro meses e eu não tive mais nenhuma crise de solidão.
Nos 20 minutos que sempre duram mais do quem uma hora a atualizo sobre dores, coceiras, namoros, dúvidas, problemas de família. Uma amiga disse que isso parece com prostituição. Eu acho que não por que nunca envolveu sexo.
Ela normalmente toca no assunto Deus e eu gosto de ouvi-la sem falar. Eu a escuto com a seriedade com que leio um bom jornal, sempre com um certo senso crítico. Ela não sabe realmente o que eu penso sobre as coisas, mas é uma das pessoas que mais me conhece. Na sua testa está escrito “experiência” e, no fundo, acho que ela sabe todas as coisas que eu não falo. Ela sempre tem uma opinião sobre os meus namorados. Basta descrever duas ou três características e já vai logo dizendo: é este, não é este... Até agora ela só disse que não era este, e teve razão todas as vezes.
Ela pega no meu pé por eu não almoçar e coisas assim, mas no meio disso sempre há uma filosofia inesperada que vale à pena escrever. Outro dia falei sobre a solidão. Sobre ter família, amigos e preferir viver sempre exilada. Então ela me disse que todos éramos sós e não havia nada que pudesse ser feito a respeito. Disse que na hora em que caminhamos na rua ou que levantamos de uma festa para ir para casa, nesses momentos, descendo as escadas pensando no horário em que precisamos acordar no dia seguinte, nesses momentos estamos sós. Não há solução para o fato de apenas nós mesmos ouvirmos nossos pensamentos.
Já faz quatro meses e eu não tive mais nenhuma crise de solidão.
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