segunda-feira, agosto 04, 2008

Hoje eu não vivo só... em paz
Hoje eu vivo em paz sozinho
Muitos passarão
Outros tantos passarinho
Muitos passarão

Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor

Um favor... por favor

A razão é como uma equação
De matemática... tira a prática
De sermos... um pouco mais de nós!

Que o teu afeto me afetou é fato
Agora faça me um favor

Um favor... por favor

~ Teatro Mágico ~

domingo, agosto 03, 2008

Non, Je Ne Regrette Rien

Non! Rien de rien ...
Non ! Je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal tout ça m'est bien égal !

Non! Rien de rien ...
Non! Je ne regrette rien...
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé!

Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux!

Balayés les amours
Et tous leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro ...

Non! Rien de rien ...
Non! Je ne regrette nen ...
Ni le bien, qu'on m'a fait
Ni le mal, tout ça m'est bien égal!

Non! Rien de rien ...
Non! Je ne regrette rien ...
Car ma vie, car mes joies
Aujourd'hui, ça commence avec toi!

~ Edith Piaf
Composição: Michel Vaucaire / Charles Dumont ~

Estou indo!

Já estou indo!

Cumprir com minhas boas ações de conveniência
Trocar esta blusa larga que deixa meus ombros à mostra de forma indecente
Dizer que não te amo
Pra doer menos.

Já estou indo!

Eu estou indo, não precisa gritar!
Estou indo desligar a TV que fala sozinha
(você não entende que ela não fala sozinha? Faz barulho para que eu me sinta menos só)
Arrumar a cama
Cozinhar alguma coisa que preste.

Já vou, já vou...

Comparecer a uma festa indesejada
Porque no fundo ninguém nunca entende que às vezes é importante sumir
Que às vezes é importante não se achar

Já vou...

Parar de ler estas poesias melodramáticas
Ler uns livros mais cults
Fingir que te ignoro
(a indiferença é o pior dos não sentimentos)

Já estou indo!

Sucumbir à infelicidade do mundo.

Estou indo...

Colocar a culpa toda em você
Que sucumbiu antes de mim.

quarta-feira, julho 23, 2008

BH

Sentada no meio do mundo.
No canto de um bar de rodoviária. Estava lá
encolhida. Tão cercada de pessoas como jamais esteve.
Há muito mais pessoas, medos e maravilhas do que previu
sua imaginação infértil,
pequena e branca.

Já se sentiu tão só, nunca tão branca.
Sente-se mal por sentir-se mal e sua discrição berra aos olhos dos que passam.
Branquidão solitária fazendo anotações
misteriosas na capa de uma revista
espera amedrontada o primeiro expresso
que a leve ao seu reduto cor cor de rosa.

Porque nesta cidade tão grande
cheia de coisas inimagináveis,
não há lugar para branquelos dos pinduricalhos dourados (bem feito pra eles).

19h45 e está indo embora a branquela dos pinduricalhos
agarrada a seu travesseiro
sob quatro milhões de pares de olhos.
Com medo, muda, sozinha.
Todos reparam nela.

Rua de Montarroio

Não sei do que fugíamos.
Dizer que era da vida parecia
demasiado lírico, demasiado verdadeiro
- e a vida raramente aproveita a um poema.

Seja como for, a cidade
predispunha-se, aceitava calmamente
pequenos gestos de ternura,
delírios de morte apenas.
Zé dos Ossos, Trianon - os nomes
que decorei, enquanto fugíamos
da calúnia dos vinte anos.

As tardes no jardim, um pouco lúgubres,
prenunciavam a costumeira subida:
jantávamos os dois por setecentos escudos,
mesmo ao lado da taberna que não tinha mesas.

Saía barato, o amor. Por não sabermos
ainda, que teríamos de pagar a vida inteira
com juros aziagos e versos de demora.

~Manuel de Freitas~