sexta-feira, maio 23, 2008
Os namorados
Eles eram meus amigos nos tempos da faculdade. Ainda estou na faculdade, mas escrevo assim para parecer mais clássico um dia, na posteridade. Envergonho-me daqueles primeiros anos em que eu pensava muitas coisas idiotas. Por isso parei de escrever diários, eles só servem para nos fazer sentir ridículos pelo que pensávamos. Naqueles anos eu não os via com bons olhos. Ela, pelo ciúme que eu tinha - mas essa é uma outra história -; ele, por não conhecer direito, achá-lo tolo, sem conteúdo. Naquele tempo eu tinha coisas mais importantes para ocupar a mente, preocupava-me com o mundo e não percebia nada em volta. Um dia eles começaram a namorar e eu não entendi. Me passou uma impressão de libertação. Ela parecia feliz e ele também pareceu mudar. Gostavam-se de verdade. Acho que pouca gente apostou nesse relacionamento, mas dia após dia, mês após mês, aquele namoro foi durando. E como ela mudou ele... Não sei porque, mas eu sempre ficava imaginando que ele tirou-a da solidão. E quando eu observava os dois, pensava neles num domingo a tarde, juntos preparando um bolo de chocolate. Nessa época já éramos amigos e eu gostava dos dois. Um dia eles terminaram. Não sei porquê, acho que ninguém ou pouca gente sabe. Um dia ele me disse que doía falar disso e eu pensei que não tinha mesmo nada que saber. O curioso é que não havia motivos para eu escrever essa história. Escrevi porque acho que, para eles, a história foi importante. E terminaram, acabou. Então escrevi, para essas lembranças não sumirem nunca.
sexta-feira, maio 16, 2008
terça-feira, maio 13, 2008
Cada vez mais parece que todos os dias são segundas-feiras... E quando se vê falta pouco mais de um mês para se completar vinte anos. Parece ridículo sentir-se velho com apenas duas décadas de chegada ao mundo. É mais uma tristeza por saber que se tem quase vinte anos a menos de vida. Mas não é bem uma tristeza, é mais uma sensação de não ter chão, não ter porto. Só muitas incertezas, tudo tem parecido cada vez mais incerto. Só as perguntas surgem. Quanto mais respostas procuro, tanto mais perguntas acho. E um dia qualquer me contam que morreu um garoto jovem, por um motivo banal. Coitado, morreu como eu, na fase das não respostas. Morreu flutuando, sem chão. Eu nem o conhecia, fiquei triste porque compactuo com a convenção social de que é triste alguém morrer. No mesmo dia se recebe a notícia de que nasceu uma garotinha. Coloriu um pouco o cinza dos meus sentimentos. Não apenas pela convenção de se ficar feliz com o nascimento de alguém. Ontem nasceu um infinito de possibilidades.
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