sexta-feira, março 14, 2008

E aquela dor?
Engoli.
A seco?
Não, com um gole de vinho.

Foto de Sebastião Salgado


Fétido
Podre
Pétrifo
Carnicento

Homem

Desagradável
Atravesse a rua

Humano

Feio
Apenas existe.

segunda-feira, março 10, 2008

Vermelha

E ela, que apenas quer ser (não ela não quer ter)
E ela, que ama à desvairia
Que chora, grita, que perde o controle
Apenas para sentir
Qualquer coisa
E ela, que nasceu do som da solidão
Às vezes acorda e o sol da manhã
Parece-lhe com cores de silêncio
As manhãs tem cheiro de noites passadas
Dos perfumes e das músicas.
Ela, que nunca sabe a quem ama
Que ama a todos
E a ninguém o suficiente
Por vezes ela sente-se o laranja em meio ao cinza
Outras vezes opaca
em meio ao verde, ao azul, ao amarelo
E ao vermelho.
Ela.

quarta-feira, março 05, 2008

Outro dia me questionaram...

1. O que você estava fazendo em 1978 (há 30 anos)?
Eu estava em um planeta pequeno, conversando com um principizinho e sua rosa.

2. E em 1983, há 25?
Desbravava os anéis de saturno.

3. O que você estava fazendo em 1988?
Houve um dia desse ano em que despertei com choros de bebês. Ó céus, como eram altos! Acordaram-me de um sono profundo.

4. E em 1993?
Eu dava infindáveis banhos em bonecas e cortava meias para vesti-las. Meu mundo era então silencioso e, às vezes, ainda conversava com o princepezinho.

5. O que estava fazendo há 10 anos?
Escrevia meu primeiro livro e fugia de casa para ir mais longe que o permitido na minha pequena bicicleta.

6. E há cinco?
Vendendo sapatos, amando platonicamente e chorando nas horas vagas.

Repasso a reflexão para...

O meu querido exagerado

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

"Era uma noite maravilhosa, uma dessas noites que apenas são possíveis quando somos jovens, amigo leitor. O céu estava tão cheio de estrelas, tão luminoso, que quem erguesse os olhos para ele se veria forçado a perguntar a si mesmo: será possível que sob um céu assim possam viver homens irritados e caprichosos? A própria pergunta é pueril, muito pueril... mas oxalá o Senhor, amigo leitor, lha possa inspirar muitas vezes!..."

(F. Dostoievski ~ Noites Brancas)