“O couro comeu na casa de noca, nego
Não teve jeito...”
- Dança comigo?
- Não sei. Pode ser... Eu te conheço?
- Ainda não...
- Tá bom.
“tem nego pensando que a casa de noca é farra, é fofoca, é canjerê...”
- Seu nome?
- Raul.
“ah, nego!
Mexeu com fogo, deu uma de bobo, e bobo não pode beber
da água que jorra da fonte...”
- E o seu?
- Maria...
“Não fale, não conte,
pois ele não vai entender...”
- Quê cê faz?
- Poemas.
“E nessa vida tem que ter molejo,
jogo de corpo, uma boa visão...”
- E você?
- Nada não...
“Tem que ser maleável,
olha lá meu irmão...”
- Tem namorado?
- Inda não...
(Casa de noca - Maria Rita)
sábado, janeiro 05, 2008
sexta-feira, janeiro 04, 2008
A morte da autora
– Ela está morrendo.
– Não está não. Pare de mentir.
– Está sim. Eu sou personagem dela. E a muito mais tempo do que você. Ela está morrendo, não consegue mais ter idéias. Nada mais soa original.
– Pare. Você só pode estar enganado. Esse diálogo, por exemplo, é a prova de que ela ainda está muito viva. Não me parece que ela esteja morrendo.
– Mas ela está. Esse diálogo também é uma cópia. Ela copiou a idéia de um personagem que anunciava a morte de seu autor do site Cronópios.
– Como você pode saber de tudo isso?
– Já falei: Sou personagem dela. Vivo dentro da cabeça dela. Sei de tudo que se passa por lá.
– Então por que eu também não sei? Também moro lá.
– Talvez ela goste mais de mim. Imaginou a mim primeiro.
...
– Droga! Odeio ela!
– Não diga isso. Você é ela e ela é você.
– Então talvez ela se odeie.
– É mais provável que esteja com pena de si mesma por não conseguir mais escrever coisas bacanas.
– Eu também sinto pena dela.
– Isso é conveniente.
...
– Será que ela ainda tem jeito?
– Talvez. Parece que ela tem lido muito, isso deve ajudar.
– E se ela desistir? Se resolver estudar corte e costura?
– Então nós viraremos bonitos vestidos.
– É... Não parece mal.
– Não está não. Pare de mentir.
– Está sim. Eu sou personagem dela. E a muito mais tempo do que você. Ela está morrendo, não consegue mais ter idéias. Nada mais soa original.
– Pare. Você só pode estar enganado. Esse diálogo, por exemplo, é a prova de que ela ainda está muito viva. Não me parece que ela esteja morrendo.
– Mas ela está. Esse diálogo também é uma cópia. Ela copiou a idéia de um personagem que anunciava a morte de seu autor do site Cronópios.
– Como você pode saber de tudo isso?
– Já falei: Sou personagem dela. Vivo dentro da cabeça dela. Sei de tudo que se passa por lá.
– Então por que eu também não sei? Também moro lá.
– Talvez ela goste mais de mim. Imaginou a mim primeiro.
...
– Droga! Odeio ela!
– Não diga isso. Você é ela e ela é você.
– Então talvez ela se odeie.
– É mais provável que esteja com pena de si mesma por não conseguir mais escrever coisas bacanas.
– Eu também sinto pena dela.
– Isso é conveniente.
...
– Será que ela ainda tem jeito?
– Talvez. Parece que ela tem lido muito, isso deve ajudar.
– E se ela desistir? Se resolver estudar corte e costura?
– Então nós viraremos bonitos vestidos.
– É... Não parece mal.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Uma Samba
Pena que nunca fui persistente o suficiente para terminar de aprender a tocar meu pequeno violão. Pena que não aprendi a tocar o pequeno violão, nem o violino, nem a percussão... Que dirá meu piano, meu grande sonho o piano de calda... Uma pena. Se eu tivesse um cavaquinho, escreveria agora um gostoso samba. Porque faz um bom tempo que não escrevo - ao menos não assim, sem preocupação com a sintaxe ou repetição das palavras – e hoje eu queria escrever alguma coisa, mas queria que fosse um algo suave e doce como um bom samba...
Lá, laia, laia, laiáá...
Lá, laia, laia, laiáá...
domingo, dezembro 09, 2007
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