quarta-feira, janeiro 10, 2007

Últimos desejos...

Não tenho muito medo da morte, mas antes de ir-me há algumas poucas coisas que eu queria fazer por aqui...
Eu queria voar, nem que fosse só uma veizinha, queria pular mais uma vez de uma pedra de uns dez metros que eu pulei uma vez, de cabeça no rio, queria aprender a tocar piano, cantar o Hino da Internacional Comunista novamente e ler “Os dez dias que abalaram o mundo”. Eu queria ver todos os filmes do Chaplin, queria perguntar muitas coisas para o meu pai e passar só mais uma noite inteira escutando as maravilhosas respostas que eu nunca descobri de onde ele tirava. Queria rezar a Ave Maria e conseguir acreditar no que ela diz, queria aprender mais três centenas de palavras do português, aprender a falar francês e espanhol e aprender a dirigir. Queria gargalhar de verdade, ingenuamente, até que a barriga doesse, queria comer alface com açúcar, pão margarina e açúcar, rosca com melado e nata, queria que a minha mãe fizesse torta de sonho de valsa. Queria fazer um doutorado, e um bom amigo também. Tem alguns bons amigos do passado que eu queria rever, uns tantos para pedir desculpas, outros para aceitar desculpas, outros para abraçar e beijar e outros só pra olhar de longe, só para saber o que foi que a vida fez deles. Eu queria mandar algumas pessoas para o inferno e dar um abraço apertado em algumas outras, e ah, queria dar um beijo na boca de outras tantas. Queria fazer uma grande viagem pela América Latina, conhecer os monumentos Maias e o deserto de sal do Chile. Eu queria ver as minhas irmãs casarem, mas eu não queria casar não, queria que a minha mãe se casasse também, queria ver o meu irmão se formar, eu queria ter um grande amor... Ta aí, eu só queria amar.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Como Viver Junto

A postagem aqui é uma demonstração de que o sentimento foi recíproco. Nem preciso dizer, você melhor do que ninguém sabe, quão grande foi e vem sendo nossa cumplicidade. Não sei escrever poesias, mas gosto, e disto você também sabe, de ser sempre muito franca, sobretudo quando o que está em jogo são sentimentos...
O que construímos foi mais que uma grande amizade, um profundo conhecimento das alegrias e tristezas um do outro. Nunca esqueça, lá onde eu guardo os meus sentimentos mais nobres, no espaço VIP do meu coração, você terá sempre um lugar de honra...


"Como viver junto

Sobre aulas de beijos roubados
E sobre como se encontrar de novo
Sobre três noites e quatro dias
Sobre bancos e lençóis

Nós falamos sobre nós
Sobre o filme que nós estrelamos
E sobre como viver junto

Não sei se foi um erro
Se foi, foi o melhor que já cometi

O seu carinho me conquistou
Você me fez suspirar
Chorar e sorrir

Eu só quero as lembranças sempre à mão
Cada momento e sensação
E todos os beijos
Os secos e os molhados
Para alegrar todos os meus dias"
(J.H.C.)

segunda-feira, janeiro 08, 2007

"Que a minha loucura seja perdoada,porque metade de mim é amor e a outra metade também." (OswaldoMontenegro)

domingo, janeiro 07, 2007

Cara Estranho

"Olha só, que cara estranho que chegou
Parece não achar lugar
No corpo em que Deus lhe encarnou
Tropeça a cada quarteirão
Não mede a força que já tem
Exibe à frente o coração
Que não divide com ninguém
Tem tudo sempre às suas mãos
Mas leva a cruz um pouco além
Talhando feito um artesão
A imagem de um rapaz de bem

Olha ali quem tá pedindo aprovação
Não sabe nem pra onde ir
Se alguém não aponta a direção
Perigo nunca se encontrar
Será que ele vai perceber
Que foge sempre do lugar
Deixando o ódio se esconder
Talvez se nunca mais tentar
Viver o cara da TV
Que vence a briga sem suar
E ganha aplausos sem querer

Faz parte desse jogo
Dizer ao mundo todo
Que só conhece o seu quinhão ruim
É simples desse jeito
Quando se encolhe o peito
E finge não haver competição
É a solução de quem não quer
Perder aquilo que já tem
E fecha a mão pro que há de vir."

(Marcelo Camello)

quarta-feira, janeiro 03, 2007

"As cartas destinam-se a nossas mãos
Não por vontade própria.
Necessitam de uma permissão suprema
Um sinal de fogo
Assinaturas extensas.
Amo as coisas que não pedem licença para acontecer
Entram largam seus chinelos no corredor
Pegam seus pratos e sentam-se à mesa
Sejam convidadas ou não.
Assim logo ditam suas regras
E fundam suas religiões
Sou grato a elas por nunca necessitarem de mim
Do meu comando.
Que chato é ter que guiar as coisas
Sem ao menos saber mover-se não aleatoriamente.

Sossegue.
Deixe que a juventude se alastre
Que as doenças se alastrem
Que os vícios se perpetuem e se alastrem
Que amantes sejam traídos
Que as famílias se desfaçam
E que os suicidas morram.
Não mobilize corporações regulamentares
Para impedir o processo letal do feito.
Nulos no instante presente
O terão amiúde por toda a vida.
Deixe ao menos à liberdade
O direito concreto da morte.
O tempo que hoje faz a regra, fará também a exceção.
O Mal não está aí para ser combatido, mas para ser compreendido.
Pois não compreender o Mal, é fazê-lo com toda legitimidade.
E por isso que os homens temem compreendê-lo.
Ao combater o Mal, se reproduz o Mal."

(Rafael Sarajevo)